É só o episódio mais recente: o programa de apoios públicos para o triénio 2007-2009 a projectos turísticos será concedido apenas em áreas consideradas estratégicas. E quais são essas áreas? Lisboa, Costa do Estoril, Algarve e Madeira.
David Pontes, do
JN, afirma, a propósito no editorial de hoje que nós, no Norte, podemos andar distraídos, mas não somos parvos. Eu discordo. Acho que andamos distraídos e que só podemos ser parvos. Admitirmos, desta forma serena e calada, todos os ataques que nos têm sido desferidos não abona nada a nossa inteligência colectiva.
Bem sei que nos falta um líder, talvez eleito para ter legitimidade, como defende Miguel Cadilhe. Mas onde pára a força do povo? Por onde tem andado a consciência destemida da população nortenha? Perdemos o espírito inconformado que na história sempre nos caracterizou?
Mais do que calados, temos estado submissos. Ontem, ao mesmo tempo que se anunciavam as prioridades para o Turismo, o governo ainda lembrava que as SCUT do Norte têm que começar a ser pagas ainda em 2007 - não há tempo a perder.
Custa-me, além dos prejuízos que advêm da assimetria crescente, que este governo seja protegido. Admito que algumas vozes tenham medo, pelos seus empregos, preferindo calar a expressar indignação e arriscar represálias, mas não aceito. Assim como não aceito que a esquerda nortenha, excepção feita ao deputado Honório Novo, se cale quando devia falar. Vivemos num clima de complexo da inferioridade e da ditadura do politicamente correcto onde se considera provinciano defender uma região, mesmo quando está em causa a morte dessa mesma região.
A Região de Turismo do Douro, ainda sem estratégia porque este governo engavetou o Plano que lhe foi apresentado, vai receber zero até, pelo menos, 2010. O Alto Douro Vinhateiro é Património da Humanidade e, segundo consultoras internacionais, tem um enorme potencial na atracção de turismo de qualidade - para o governo não. Enquanto isso, a região vai deprimindo pelo crescente desinvestimento e abandono.
A minha sugestão é simples: o governo não está a utilizar a receita dos impostos segundo o princípio da redistribuição da riqueza. Como tal, devemos suspender as nossas contribuições até que a situação se regularize. Elevemos a nossa voz, deixemos de pagar impostos e talvez os governantes deixem de se rir de nós.