terça-feira, março 29, 2005

Fica, Fernando Pinto

Pelos 14 milhões de euros que a TAP deu de lucro, em 2004;
Pela forma pacífica como a privatização está a ser feita;
Pela paz social que reina na empresa;
Pelo muito tempo em que já não ouvimos "mais uma greve na TAP";
Pelas lições que nos dás em Gestão de Empresas;
Pelo dinheiro que todos nós deixámos de injectar para que alguns pudessem voar;
Por tudo isso, Fernando Pinto, fica.

Manchada

Ficou manchada a intervenção da Greenpeace em Portugal.

O que começou por ser um criativo protesto, na semana passada, transformou-se hoje num acto criminoso indefensável.

Os activistas prostraram-se ao início da manhã frente à Vicaima, uma das empresas a quem se destinava a madeira exótica, causando-lhe prejuízos de elevada monta. Ainda mais se pensarmos que a empresa de Vale de Cambra nada tem que ver com as eventuais irregularidades da empresa exportadora, no Brasil.

Ou seja, o protesto que todos aplaudimos, na semana passada, ficou hoje manchado por uma intervenção criminosa por parte dos mesmos intervenientes.

Novo Código

A entrada em vigor do novo Código da Estrada está envolto em polémica. E face às vozes discordantes, já veio o novo Secretário de Estado da Administração Interna admitir que poderá alterar o diploma.
Aqui temos, então, mais um exemplo acabado da causa do atraso crónico português. Não havendo estabilidade, como poderemos almejar crescer? Há que acabar com este vício de os novos governos quererem alterar tudo o que herdaram. Assim, perdemos mais tempo a compor do que a pensar o país de forma consistente.

sábado, março 26, 2005

Feliz Páscoa!!!

Percebem agora donde vêm os Ovos da Páscoa?

Uma Boa Páscoa a todos os leitores do Globalizante.

sexta-feira, março 25, 2005

Guerra aberta

Depois de terem sido abatidos 3 polícias nos últimos dias, foi a vez de ser alvejado mortalmente um jovem de 17 anos no Monte da Caparica. Ao que parece, este estaria em fuga após assalto a uma farmácia.
Com isto, Portugal está a transformar-se num país em guerra civil. Aquilo que só víamos nos filmes, está a começar a passar-se cá. E se pensarmos no arsenal apreendido com o alegado autor do duplo homicídio da Cova da Moura, temos razões bastantes para nos preocuparmos.
Esperemos também que, ao contrário do que acontece noutros países, as forças policiais não entrem num estado de paranóia (quase justificada) e desatem a condenar e aplicar penas de morte quando ainda nem sequer detiveram o suspeito. Que reine a calma.

quarta-feira, março 16, 2005

IPPAR(vos)?

Aquilo que o IPPAR está a fazer ao Porto não se admite. Sou o primeiro a achar que se deve proteger o nosso património, ainda mais, o meu querido Museu Nacional Soares dos Reis. Agora, será que por desembocar um túnel essencial à cidade a mais de 20 metros da entrada do Museu irá prejudicar sobremaneira o edifício?
O que se está a fazer não é a defesa do património, mas antes um bloqueio político ao autarca Rui Rio.

Constâncio, que fazes?

Já começou. O PS veio obrigar Vítor Constâncio, Governador do Banco de Portugal, ameaçar os portugueses com a subida do Imposto Automóvel e do Imposto Sobre os Combustíveis para fazer face ao ruinoso negócio das SCUT.
Não é estranho que o PS venha com esta sua política de penalizar toda a gente em detrimento de alguns privilegiados. O que é estranho é que Constâncio se tenha predisposto a fazer o papel de mensageiro da asneira, talvez pensando que, dada a sua inegável credibilidade, tudo o que diz é aceite.
É pena que assim seja. Parece que vamos perder um excelente Governador para passarmos a ter um Boby ou Tareco da cúpula inoperante e cobarde socialista.

O Fim

Foi ontem o fim da aventura europeia deste ano do FC Porto. Já nem sequer podemos estranhar. Os seus melhores jogadores do anos passado estão a levar ao sucesso as equipas onde agora jogam e o Porto, desfalcado, vai lutando pelo lugar na Liga dos Campeões já que o Benfica parece bem embalado.
O nosso campeonato este ano está uma miséria. Nenhuma equipa joga bom futebol de forma consistente e isso nota-se no facto de o 1º ser o pior, em termos pontuais, 1º dos campeonatos europeus.

sexta-feira, março 04, 2005

Não vai

Segundo notícia de última hora da RTP, Manuela Ferreira Leite não se candidatará à liderança do PSD.
Lá se vai a minha candidata - aquela que afastaria o PSD do partido dos ismos: santanismo, mendismo, cavaquismo...

quinta-feira, março 03, 2005

5 Bombeiros Mortos

A época de incêndios ainda não começou e já padeceram cinco bombeiros. De uma só vez, faleceram 4 da corporação de Coimbra. E, ontem, no combate a um incêndio residencial, morreu um bombeiro de Guimarães.
Sou daqueles que admiram muito o trabalho, muitas vezes voluntário, destes homens e mulheres. Pelo que me curvo, respeitosamente, ante a perda de 5 verdadeiros heróis.Ainda assim, não basta prestar homenagem aos que morrem. Há que valorizar o empenho e o risco e dar condições para que não ocorram situações como as desta semana.

25 Anos

Os GNR (Grupo Novo Rock) completaram 25 anos de carreira. São um caso excepcional de vitalidade e, em minha opinião, os melhores do rock português. A qualidade que nunca deixaram de empregar nas respectivas letras e músicas aliada à consistência com que produzem cada álbum coloca o grupo a anos-luz da mais directa concorrência, sempre mais comercial e mais óbvia em tudo o que faz. A postura de Reininho e companhia em palco vem só confirmar o estatuto de verdadeiros criadores imortais no panorama musical nacional.

terça-feira, março 01, 2005

Tudo na Mesma

O grande clássico terminou com um empate e permitiu que o Sporting se juntasse ao Porto e ao Benfica no topo da classificação.
Foi um bom jogo de futebol onde, em minha opinião, a haver um vencedor, teria que ser o Porto. Foi a equipa que criou mais oportunidades de golo e aquela que revelou um futebol mais consistente.

Preocupante é a série de jogos sem ganhar do Porto, no Dragão. Já lá vão mais de 2 meses desde a última vitória e assistimos à caricata situação de a equipa ter melhor desempenho fora do que em casa. Estarão os adeptos a revelar-se nefastos?

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Ainda ao colo?

Será que elegemos um santo ou um herói? Esperei uma semana para poder fazer este post. As legislativas foram dia 20 e, como é natural, na semana seguinte, as crónicas dirigiram-se para ataques ao PSD e loas ao PS e ao seu (já quase beato) líder.
Que é um novo Cavaco; que agora sim, isto vai andar; que já se notam a serenidade e o corte com o pior do Guterrismo; que afinal, ele era o melhor dos ministros de Guterres;…
Enfim, tudo aturei, silencioso, durante uma semana. Agora, mais do que isso? Nem pensar em ficar calado. Denuncio, aqui, o excesso de protecção de que é alvo Sócrates. Relativamente à formação do Governo, que é a única coisa que pode fazer neste momento, ela não está a ser feita “nem na comunicação social, nem pela comunicação social”. É um facto. Mas, e os outros foram-no? Foram sim senhor, mas porque a própria comunicação social especulava até mais não dando como certos nomes de Ministros apenas baseados na intuição de redactores e no faro de editores estilo Zandinga. É claro que tudo isto é normal numa sociedade altamente mediatizada, como é a nossa. O que vai para além da normalidade é essa mesma Imprensa não dar o mesmo tratamento a todos. Posso augurar um longo estado de graça. Tão longo quanto a sua ausência nos governos anteriores.

Dia de Clássico

Por muito que os intervenientes digam que não, hoje é mesmo um dia decisivo para Porto e Benfica. O jogo de hoje pode desempatar as equipas no topo da classificação e lançar um eventual vencedor para a vitória no campeonato.
Ao que tudo indica, o Dragão vai estar cheio para acolher um jogo que há muito começou fora de campo. A troca de palavras tendo por fundo os castigos de McCarthy e Simão serviu para o pontapé de saída do derby – nada que não aconteça sempre.
Do jogo, espera-se que seja um bom espectáculo, que ganhe o melhor e que o melhor seja a equipa da casa.

Arrogância vencedora

José Mourinho alcançou ontem o seu primeiro título pelo Chelsea. Vi o jogo e vibrei com a vitória dos londrinos. Não só pelo treinador e jogadores portugueses, mas pela Imprensa britânica que não parou ainda na sua cruzada anti-tudo-o-que-não-seja-britânico acusando mesmo Mourinho de ser originário de um país de terceiro mundo.
Respondeu Mourinho, e bem, que foi preciso vir ele de tão longe para dar uma vitória que o Chelsea não conseguia há mais de 50 anos.
A Imprensa britânica, aliás, tal como a portuguesa nos tempos de Mourinho no Porto, não conseguiu perceber que os ataques ao treinador e à sua equipa são o balão de oxigénio que permitem a estratégia psicológica que é adoptada. Sem os ataques, seria muito mais difícil moralizar o balneário.

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

O Castigo a Simão

Pinto da Costa tem razão: ou Simão (pretenso agressor) ou Alex (pretenso agredido) têm que ser punidos. Se o segundo afirma, agora, que não houve nada, então tem que ver castigado o seu “teatro”. Se há agressão, Simão terá que sofrer o mesmo tratamento imposto a McCarthy ou Seitaridis.

Benfica fora

O jogo de ontem demonstrou que o Benfica não tem estofo europeu. O CSKA não é nenhum papão da Europa e, não fora dois golos mal anulados e o Benfica teria sido humilhado na sua própria casa. Já o Sporting deu uma lição de bola ao Feyenord e aos seus inenarráveis adeptos. Comportamentos como os de ontem só podem levar a uma situação: impedimento de o clube participar em competições europeias. Os adeptos têm que ser dignos do espectáculo.

Campanha Negra?

A propósito das últimas legislativas e face ao estilo de campanha adoptado pelo PSD muito foi dito. Muitas vezes, com razão. Mas, e ante os moralistas da nossa praça e às acusações de que o PSD estaria, através dos seus cartazes, a fazer uma campanha negra, apenas questiono: então e o Bloco de Esquerda, cujo único desígnio foi denegrir os líderes da maioria e em cujos tempos de antena aparecia a estrela (o símbolo do BE) a pontapear Santana Lopes? Será que só eu vi os seus outdoors? Parece que não, mas a gente sabe que aos tais moralistas muitas vezes se lhes tolda a vista impedindo-os de terem a total percepção daquilo que comentam.

Alguém desconhecia o significado de Nacionalismo?

Os adeptos do Barcelona, um pouco à semelhança do que vem acontecendo noutros campos espanhóis, deram uma lição de xenofobia a todos quantos viram o jogo com o Chelsea. Entoando a música com que brindaram, em tempos idos, Luís Figo foram distribuindo insultos pelo treinador e pelos jogadores portugueses da equipa londrina. Para quem não ouviu, aqui vai o que não se cansaram os catalães de repetir: “Hijo de puta es, ese portugues”.

Não confundamos este grupo radical xenófobo e nacionalista com o grosso dos espanhóis. Mas, a verdade é que não podemos deixar de nos preocupar com estas, infelizmente recorrentes, cenas em estádios do país vizinho. E a UEFA terá que compreender que estes comportamentos são puníveis. Que se apliquem os regulamentos.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

A Dois

Segundo esta notícia do NYTimes, Bush considera absolutamente necessário um alinhamento entre os EUA e a União Europeia para tratar a questão do Irão. Este poderá ser um passo decisivo na reaproximação entre EUA e UE, cujas relações foram abaladas devido à intervenção no Iraque.

Durante algum tempo, temeu-se que a questão iraniana fosse tratada da mesma forma que a iraquiana - o que seria um grave erro visto não serem semelhantes as situações. Aqui, a questão terá que ser tratada com pinças, o que é o mesmo que dizer que se terá que agir com base na diplomacia. E quanto maior for o grupo de países envolvidos no protesto face ao incremento do desenvolvimento de armas nucleares no Irão, melhor.

Candidata I

Cada vez mais estou convencido de que foi um erro não ter sido Manuela Ferreira Leite a assumir a presidência do Governo aquando da saída de Durão Barroso.

Dona de uma personalidade imperturbável e de uma competência a toda a prova, pode ser esta Mulher a pôr ordem na casa. A sua apregoada impopularidade é falsa. Tudo bem que tomou em Portugal medidas altamente impopulares quer na pasta da Educação, quer na das Finanças. Mas as pessoas, no fundo, sabem que não o fez por capricho, mas antes por sentir que eram as melhores medidas para o país.

Não assumiu, ainda, qualquer candidatura. Contudo, estou certo que se o fizer, irá corporizar um projecto sério, corajoso e avesso a vãs aspirações pessoais.

Candidato II

Marques Mendes é o político body-boarder mais famoso do país. Dono de uma retórica brilhante e um parlamentar como não há em Portugal, repete a candidatura que já protagonizou em Viseu - na altura perdeu com Santana Lopes para Durão Barroso.

Dizem que é a pessoa ideal para, do Parlamento, conduzir uma forte oposição ao PS. Mas, pergunto eu, será que é um rosto que já vem dos tempos de Cavaco Silva que vai operar as tremendas mudanças que se exigem?

Candidato III

"Elitistas, sulistas e liberais". Foi assim que num já famoso Congresso em Lisboa, Luís Filipe Menezes viam com maus olhos os que, do Porto tentavam ganhar ascendência política.

A sua candidatura ao PSD já nem sequer é levada muito a sério. Excelente autarca em Gaia, a verdade é que a sua carreira política no PSD é feita de muitos altos e baixos. Sucessivas contradições e mudanças de posição constantes são avessas ao espírito de tranquilidade de que o partido tanto precisa. Não acredito que seja ele o Homem.

Saiu

Santana fez o que lhe competia. Pelo que aqui já disse, não restava outra solução. E o facto de o não ter feito logo na noite eleitoral pode ser significado de serenidade - aquela de que o PSD tanto precisa.

Deixou de ser uma bênção?

Numa iniciativa curiosa, a Universidade Lusófona com a colaboração da Força Aérea Portuguesa, vai tentar provocar chuva em zonas do interior.
Será a ciência, de vez, a sobrepôr-se às competâncias divinas?
Aqui fica a notícia.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Santana ficará?

Ao contrário de portas, que tomou a decisão sensata de se ir embora, Santana Lopes apenas anunciou a convocação de um Conselho Nacional e de um Congresso Extraordinário. Será que ele vai tentar manter-se à frente do PSD?
Depois desta derrota eleitoral não poderá haver líder que resista. O povo, em massa, rejeitou esta equipa. Há que haver fair-play e compreender que um resultado destes não é só fruto da conspiração montada pela comunicação social.
O PSD merece uma nova direcção, moderna e capaz de preparar, enquanto é tempo, os próximos combates. Aqui vai o meu contributo: que tal, Manuela Ferreira Leite?

Estrondosa Vitória

Que dizer da vitória de Sócrates? É absoluta e atira o PSD para um dos seus piores resultados de sempre. Muitas são as formas de olhar para os resultados, mas não consigo deixar de entender esta votação massiva no PS como um voto de protesto pela governação PSD-PP que ficou a meio.
O PS de Sócrates não merecia a vitória e não a teve por mérito próprio. Antes aproveitou a benesse/frete que lhes foi concedida por Jorge Sampaio e preocupou-se em, nada dizendo, não perder qualquer dos votos dos descontentes. Nada de ideias para o país, nada de pessoas que irão integrar o Governo, nada.
É por isso que vivemos neste quarto escuro. Que podemos esperar do próximo Governo?Ontem, na declaração de vitória, Sócrates já tropeçou. Dirigiu-se a quem o elegeu e não a todo o eleitorado. Tratou-nos por “camaradas”(!?) e chegou a ser arrogante. Espero que este tenha sido apenas um percalço de principiante. Mantenhamo-nos atentos.

Regresso (Prometido)

Após os exames e uma intensa campanha, aqui volto. Espero que desta vez seja mesmo para uma presença assídua. Vamos ver.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Campanha morta

Esta campanha eleitoral tem sido sofrível. Os partidos não falam com medo de perder eleitorado e avançamos nesta sensaboria sem fim. De qualquer modo, foi feito o tal debate a dois: aquele a que Sócrates queria fugir. Saiu vencedor Santana Lopes. Só não viu quem não quis, que é como quem diz, a comunicação social. Salvo raras excepções, atribuíram um empate. E tentaram escamotear o óbvio: o candidato socialista não está preparado nem tem perfil para Primeiro-Ministro. Mas, pelos vistos é o que agrada aos interesses…

Marcelo outra vez?

Desta feita, é o PS quem vem reclamar contra as crónicas do professor. Ou seja, lembram-se de Rui Gomes da Silva e das suas declarações que foram interpretadas como uma tentativa de saneamento político do analista? Pois bem, na altura nada mais foi dito senão que “não era correcto que alguém tivesse tão alargado espaço de antena para opinar sobre o que quisesse sem direito ao contraditório”. Sócrates, há dois dias, e reagindo à notícia que dava conta da ida de Marcelo para a RTP já fez saber da necessidade de se assegurar o pluralismo. Aquilo que foi criticado em Gomes da Silva passou agora despercebido à comunicação social – como tanta outra coisa, aliás.

domingo, janeiro 30, 2005

Que se passa?

O Porto deste ano é um não-Porto. Hoje, mais uma derrota em casa. De tudo se poderão queixar os jogadores portistas: falta de sorte, arbitragem de fraca qualidade, boa equipa adversária. Podem queixar-se de tudo que não farão esquecer a falta de convicção, o desnorte com que jogam à bola.
Fernández não consegue organizar a equipa. O ataque, recheado de estrelas, não consegue fabricar um golo. A defesa, apesar de ser a menos batida da Superliga, demonstra debilidades infantis – ainda mias com Pepe que, apesar da idade, não chega aos calcanhares de Jorge Costa!?
Algo tem de mudar na equipa do Porto. Não peço a cabeça do treinador. Ele é um dos culpados nesta total ausência de atitude. Mas, quem poderá ilibar os jogadores?

Começa a aparecer a vitória

Apesar de todo o terror que lhes tentaram incutir, os iraquianos compareceram em massa às eleições de hoje.
Parece que a vitória da democracia começa, timidamente, a fazer-se sentir. Será uma vitória, certamente, dos iraquianos em primeira instância. Mas, e não esquecendo tudo o que se passou e continua a passar, é também uma vitória dos que lutam pela liberdade e pela democracia em qualquer parte do mundo.Agora, o Iraque terá um governo legitimado. Pouco a pouco, é necessário que o domínio das forças da coligação deixe de se fazer sentir. Para que a vitória o seja efectivamente.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Um completo exagero

O jogo desta noite, entre lagartões e lampiões foi fértil em muita coisa mas, principalmente em adjectivos exageradíssimos com que os jornalistas brindaram a partida.
"Jogaço", "fenomenal", "hino ao futebol" são tudo termos que, para quem viu o jogo, claramente não se aplicam. Foi apenas um jogo emotivo onde nem sempre imperou a correcção - o que é de estranhar já que se tratava de um jogo entre dois clubes em lua-de-mel. É só rosas e beijinhos em bancos de jardim entre os dois presidentes.
Vejam lá que se tiveram que juntar os dois "maiores" clubes de Portugal para fazer face a um clube regional como é o Porto. E depois não querem que nos sintamos os maiores...
Se vissem, ao menos, quão ridículos se tornam os distintos senhores e quão mal se devem sentir os adeptos dos seus clubes, mas, enfim, afinal trata-se de sportinguistas e benfiquistas. Tanto uns como outros têm o presidente que merecem...

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Não é por aí

As muitas insinuações que se têm feito acerca da vida privada de Sócrates não acrescentam nada ao debate político. Verdadeiras ou não, a verdade é que não vi as pessoas que agora muito se empertigam a terem a mesma atitude quando, na altura em que foi nomeado Ministro da Defesa, Paulo Portas foi alvo de uma campanha semelhante.

Já agora, quem adulterou o outdoor devia ter cuidado. "Pedofilia" não tem acento.

Não há debate

Por que foge o Eng. Sócrates dos debates como o diabo da cruz. É realmente único o seu comportamento na história da democracia em Portugal.
Será que ele não tem mesmo nada para dizer?

quarta-feira, janeiro 19, 2005

“Triposo” arguido

Pois bem, ao que parece, a verdade é mesmo como o azeite.
Nuno Cardoso foi constituído arguido e terá que se haver com a justiça face ao que andou a fazer enquanto Presidente da Câmara do Porto. Que os negócios haviam sido ruinosos para a Câmara, ou seja, para todos nós, para que o F. C. Porto beneficiasse, já todos sabíamos. Mas, afinal havia mais: Cardoso está a ser investigado por peculato e por abuso de poder. Agora, já percebemos mais a fundo o porquê daqueles despachos à última da hora, alguns dos quais, no último dia como Presidente. Bem me parecia que a figura não nutria um amor assim tão grande pelo F.C. Porto.

Benfica, a melhor opção

Não me lembro do nome do último reforço do Benfica. No ouvido ficou-me, no entanto, o seu depoimento onde afirmou que tinha 3 clubes que o desejavam: Real Madrid, Porto e Benfica. Ele escolheu o Benfica.
Enfim, é a expressão viva em como as variadas parafilias estão a crescer. O masoquismo é só uma delas.

terça-feira, janeiro 18, 2005

Não se ofenda, Sr. PR

Ora não querem ver que o nosso PR, Jorge Sampaio, contrariando tudo aquilo que até agora vem dizendo, se mostra desconfortável ante as críticas?
Na sua visita à China de 7 (sete) dias levou na comitiva (extensa) um rol de empresários no intuito de que estes possam estabelecer contactos e alargar o seu campo de actuação a esse imenso país.
Perante a situação, a União de Sindicatos do Minho, temendo que os empresários envolvidos deslocalizem os negócios pondo empregos em risco, reagiram.
Sampaio, ainda em Macau, atirou violentamente contra as vozes discordantes considernado "absurdas" as críticas e dizendo que já trabalha há "9 anos" sempre a esforçar-se pela defesa de Portugal.
Digo eu: e para que lhe pagamos todos nós senão para isso? Julga ele que é um favor que nos faz? O que custa é esse acesso de fúria face a críticas normais e a que um chefe de Estado deveria saber encaixar. Pelos vistos não sabe. E ainda tem o desplante de criticar os outros porque "não souberam dar ouvidos às muitas vozes que discordavam do rumo que se estava a seguir".

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Valerá a Pena?

Na etapa de ontem do Barcelona-Dakar, Fabrizio Meoni não foi capaz de resistir a um ataque cardíaco. Tornou-se o 23º piloto a morrer em 27 edições da prova. Atenção que para esta contabilidade apenas entram pilotos – o caso seria mais grave se fossem contemplados os espectadores ou habitantes das aldeias por onde passa a prova que já padeceram em resultados de acidentes.
Os números são de tal forma trágicos que entendo que a continuidade da prova deve ser posta em causa. Tudo bem que os concorrentes são voluntários e estão conscientes dos riscos; que a prova é já um clássico do automobilismo e nos faz chegar imagens do que mais belo há no mundo; que também há mortos noutros desportos. Tudo isso não chega para justificar que se insista numa prova mortal. O tempo dos gladiadores já acabou. Será preciso que a bravura se mostre por esta via? Com muita pena minha, acabe-se com a prova.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Os Curandeiros

Sócrates veio anunciar que, caso seja eleito, não irá recorrer a receitas extraordinárias. Isto leva-nos a uma de duas situações, e isto só no caso de o PS ganhar as eleições, o que não acredito: não recorre às tais receitas e, na conjuntura actual em que ainda se não conseguiram efectivar as principais reformas de contenção da despesa, ultrapassamos o défice - o que é apanágio dos Governos PS; ou aumenta os impostos e/ou congela os salários e/ou paraliza o investimento público, num conjunto perigoso de quem, sem competência, tenta sacar coelhos da cartola ou faz remédios caseiros e os tenta aplicar, de forma irresponsável, ao país.

O que há muito se preconizou face a Sócrates tem-se mesmo preconizado: sempre que abre a boca, as pessoas consciencializam-se de que ele e os seus apaniguados são mesmo a facção mais pobre de Guterres.

O Mundo Reage

Face à tragédia na Ásia, o mundo dá mostras de ainda existir enquanto tal. As grandes potências estão a fazer um verdadeiro esforço no sentido de ajudar à contenção da tragédia. O montante já prometido pela comunidade internacional é recorde e deu-se um grande passo para uma eficiente administração do dinheiro: a Cimeira que está a acontecer na Indonésia.


De qualquer modo, todos devemos reflectir: o Mundo vai no caminho certo quando se consciencializa da necessidade de ajudar apenas em situações de crise? E, mesmo neste caso particular, será que a ajuda vai ser continuada ou durará apenas enquanto durar o impacto mediático? Já todos nos esquecemos da tragédia de Bam, no Irão, em Dezembro de 2003. Aí, foram prometidos pela comunidade internacional 500 Milhões de dólares para ajudar a reconstruir aquela cidade histórica. Chegaram, até agora, 17 Milhões.


O mundo civilizado, por inúmeras razões, tem obrigações para com o Terceiro Mundo. Que, desta feita, as populações afectadas sejam ajudadas. E que se comece pelas imensas comunidades de pescadores, completamente devastadas, deixando os resorts de luxo para a iniciativa privada.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Novela Pôncio

O PS teve o caso de Paulo Pedroso – o tal que toda a gente no partido jura estar inocente e o recebe de braços abertos e lágrimas nos olhos na sua saída da prisão, mas que agora ninguém o quer a concorrer à Assembleia da República a seu lado.
O PSD tem Pôncio Monteiro. Ao que parece, foi convidado pelo próprio Santana Lopes para integrar a lista do Porto para, dias depois, ser desconvidado. Estas são situações que acontecem aos montes sempre que se chega a hora de fazer listas. Este caso particular merece mais atenção porque a pessoa em causa não está habituada às lides partidárias e, logo que soube o que lhe estava reservado, tratou de convidar toda a imprensa para sua casa afim de acompanharem em directo, qual Big Brother político, as intrigas de um divórcio anunciado.
Eis como se inflamam os ânimos quando se joga alto.

As Negas face a um dado "inadquirido"

Não está fácil ao PSD formar listas e começar a campanha. As negas de pesos pesados para integrarem as listas de deputados são muitas, casos de Ferreira Leite, Dias Loureiro, Leonor Beleza, entre outros, e agora vem Cavaco Silva pedir para não ser incluído nos cartazes de campanha. Eu, que tenho uma admiração considerável pelo ex-primeiro-ministro não entendo esta consequente recusa de se associar ao partido. Tudo bem que deverá fazer parte da sua estratégia de assalto ao Palácio de Belém, mas ele não se poderá esquecer que tem que ter o apoio do partido.


Além de tudo, está quase toda a gente convencida de que o PS já ganhou as eleições. Que se desenganem. Vai chegar o momento em que Sócrates terá de abrir a boca. E aí se verá o que tem para nos apresentar. Por enquanto, só duas ideias saltaram cá para fora. A saber: o regresso da co-incineração e o aumento do IVA para 20%.


Ora, é preciso mais para se votar nele, mas a verdade é que não há. Como pode o guterrismo recauchutado ter mais ideias do que as que apresentou em 6 anos de ausência de reformas? Ao menos o actual Governo decidiu, algumas vezes mal, mas sempre com a determinação de que esse seria o melhor caminho. Muitas medidas eram impopulares. Pois, mas só com sacrifícios de alguém se poderá beneficiar a maioria.Na hora do voto, desenganemo-nos, o povo saberá escolher. E irá preferir o vigor das decisões em detrimento da ausência programática de Sócrates e companhia.

sexta-feira, dezembro 31, 2004

Solidariedade

A tragédia na Ásia é imensa. Felizmente que há também em Portugal e no Mundo um forte sentimento de solidariedade. As campanhas humanitárias estão em curso. Para quem quiser ajudar, aqui ficam alguns meios para o fazer:
Os donativos deverão ser feitos através de depósito ou transferência para a conta do Montepio Geral, com o NIB 0036 0088 99100039366 18

A organização não-governamental Médicos do Mundo Portugal, que enviou quarta-feira uma equipa médica para o Sri Lanka a bordo de um avião com ajuda humanitária fretado pelo Governo, também pediu o apoio dos portugueses, que poderão fazer o seu donativo através do Banco BPI, com o NIB 0010 00009 4449990001 70, ou da Caixa Geral de Depósitos (CGD), com o NIB 0035 05510 0007722130 32.

Para apoiar a missão da Assistência Médica Internacional (AMI) na Ásia, os donativos deverão ser feitos através da conta da CGD 0001 030 003 830, com o NIB: 0035 0001 0003 0003 8306 2.

A UNICEF SOS Crianças da Ásia também tem uma conta aberta na CGD com o número 0127 028 241230 e o NIB 0035 0127 0002 8241 2305 , assim como a CARITAS que tem a conta 0697 630 917 930, com o NIB 0035 0697 0063 0917 9308 2 .

A Cruz Vermelha Portuguesa também pediu a ajuda dos portugueses que poderão fazer os seus donativos através de depósito ou transferência para a conta do Banco BPI com o NIB 0010 0000 137 222 70009 70 ou para a conta número 1-137222000009 .

Também a TMN lança um repto aos seus assinantes. Enviem um SMS com a palavra "AJUDA" para o número 12700. Custa 1 euro e reverte na íntegra a favor da AMI, Cruz Vermelha e Médicos do Mundo. SMS "AJUDA" para 12700.

A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) anunciou hoje a abertura de uma conta para ajudar as vítimas dos maremotos no sudeste Asiático. O dinheiro pode ser transferido para a conta do Montepio Geral com o NIB 0036 0093 99100067797 10.

quarta-feira, dezembro 29, 2004

O Horror

O que se vê é apenas, e infelizmente, parte das terríveis consequências do sismo de Sumatra. Espalhando a morte por cinco diferentes países, a Natureza demonstrou a sua força da pior maneira. Nada mais haverá a fazer do que "cuidar dos vivos e enterrar os mortos". E, talvez, rezar para que dentro em breve a ciência possa ajudar-nos a evitar estas catástrofes.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

A revista à portuguesa

Agora, tudo serve para a polémica. A última é a revista que foi distribuída com alguns jornais e que se destinava a explicar o Orçamento de Estado para 2005. Tudo bem que ela foi paga com o erário público, mas não será serviço público informar as pessoas onde o seu dinheiro é gasto?
É claro que tudo agora é um problema. Quando em governos anteriores se compravam sucessivamente páginas inteiras de jornais para se publicitar as obras do Estado, nenhum problema havia. Enfim, tudo faz parte de uma campanha torpe que visa descredibilizar o ainda Governo. Resta saber se o eleitorado vai na cantiga.

Feliz Natal!!!

De mim, para todos vós, um Feliz Natal!!! Que o Globalizante se mantenha por muitos anos, a ver se o seu autor também e, já agora, os leitores.

Um abraço natalício e votos de que esta quadra seja conciliadora.

terça-feira, dezembro 14, 2004

Sermos (verdadeiros) Europeus

1. Com o alargamento a Leste e a assinatura do Tratado Constitucional a União Europeia deu um enorme passo rumo ao que preconizou Jean Monnet quando, em 1957, foi assinado o Tratado de Roma.


Novos desafios se colocam à Europa e seus cidadãos. Da União Aduaneira, à União Económica e Monetária será que caminhamos mesmo para a União Política? Quando se fala em federalismo europeu há logo vozes que prontamente se levantam em defesa do que resta das soberanias de cada um dos países membros. Mas, avaliando de forma pragmática, teremos alternativa? Neste momento, através dos regulamentos e directrizes comunitárias, os países membros já se sujeitam ao que emana de Bruxelas. O não cumprimento das normas europeias leva à aplicação de sanções – lembremo-nos do procedimento de que Portugal foi alvo pelo não cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento no que ao défice público diz respeito. Ou seja, a soberania nacional tal qual a conhecíamos está já beliscada e constitui isso algum drama? A meu ver, não.
No próximo ano, prevê-se a realização de um referendo ao Tratado Constitucional para a Europa. A pergunta até já foi elaborada. Nessa altura, teremos todos de perceber o que está em causa. No entanto, o tempo urge e não vejo que se esteja a fazer algo pelo esclarecimento dos cidadãos. Continuamos todos a assobiar para o lado e a chutar para a frente a responsabilidade de nos tornarmos verdadeiros cidadãos europeus. Continuamos, alegremente, a acreditar que a questão da cidadania europeia é algo longínquo que só as próximas gerações irão sentir. O que é facto é que pertence ao eleitorado de hoje tomar as decisões. Se somos nós quem tem que aceitar ou não este caminho temos que ser nós os mais esclarecidos para podermos optar em consciência.


Para a letargia em que nos encontramos consigo encontrar vários culpados: os partidos políticos que pouca atenção dedicam à Europa e que até utilizam as eleições para o Parlamento Europeu para o combate político interno; os sucessivos Governos que não ousaram formar cidadãos europeus, quer ao nível da escolaridade obrigatória, quer ao nível da formação para adultos; as próprias instituições europeias que não têm sabido aproximar o processo democrático europeu dos seus cidadãos.


E ainda mais grave, sabendo que a União Europeia tem por base a aproximação entre os Povos valorizando as diferenças culturais, por que não se reforçam os direitos democráticos dos cidadãos comunitários que vivem fora do seu país de origem? Fará sentido que um português a viver em França ou na Bélgica há 15 ou 20 anos não possa escolher o Governo que todos os dias lhe "vai ao bolso"? O critério definidor dos direitos democráticos dos cidadãos europeus deve ser, cada vez mais, o da sua residência estável e menos o da sua nacionalidade de origem.
Para que isso aconteça, terá a Europa que, mais uma vez, superar-se e dar uma prova ao Mundo da sua grandiosidade moral. Há que ultrapassar preconceitos, derrubar barreiras e, de forma consciente, caminhar para uma União de Povos.


2. O já comprovado envenenamento por dioxinas de Victor Iuschenko, candidato da oposição à presidência ucraniana, e as fraudes que adiaram a sua provável eleição são factos que nos devem preocupar. O acto que o desfigurou foi, alegadamente, praticado pelos serviços secretos ucranianos. Na base de tudo, poderá estar a inclinação pró-europeia de Iuschenko em detrimento da relação com a Rússia. Preocupantes são ainda as reacções por parte do Kremlin e da Casa Branca. Bush e Putin, num discurso que parecia consertado, desvalorizaram as flagrantes fraudes eleitorais numa atitude conivente com o autoritarismo que ainda se vive na Ucrânia.A bem da democracia e da liberdade, nesta repetição da segunda volta, que ganhe Iuschenko, certamente o mais votado.

Agora, Universais...

Mas, que dizer agora? O Porto é a melhor equipa portuguesa de sempre. A Maior. Com um palmarés destes, quem se atreve a contradizê-lo?

Só sete equipas europeias bisaram nesta competição que apura o melhor do mundo. A sétima foi precisamente o FC Porto. Esta vitória teve, aliás, o condão de desempatar a Europa e a América do Sul em vitórias da Taça Intercontinental. Nesta última edição, ficou 13 para a Europa e 12 para os sul-americanos.

Com a passagem aos oitavos de final da liga dos Campeões e mais um título no papo, deixam de haver dúvidas. O Porto é mesmo quem mais dignifica o futebol português fora de portas.

O que ando a ler V

"Cão como nós" de Manuel Alegre

(É possível que o meu pai também ande por aí. Às vezes sinto-o dentro de mim, ele apodera-se dos meus próprios gestos, entra no meu andar, não é a primeira vez que a minha irmã me diz: "Pareces o pai".
Mas não sei se ela sabe que a cadeira vazia do pai não está vazia, há nela uma ausência sentada e agora, sempre que vamos a Águeda, há, a seus pés, outra ausência enroscada.)

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Orçamento de Estado

Vive-se uma situação política quase surreal em Portugal. Como o Sr. Presidente da República não quer demitir o Governo, nomeando um por sua iniciativa até um novo ser eleito, pede-se que o OE para 2005 seja aprovado em Assembleia da República. Ou seja, pede-se que se aprove o Orçamento sabendo que o Governo o não poderá cumprir.
Esta situação é reveladora da falta de cálculo que esteve na base da decisão de Jorge Sampaio. O problema é que vamos ser todos a pagar a factura deste "andar a brincar aos políticos".

O que ando a ler IV

"Um Quarto com Vista" de Edward Morgan Foster

Não é possível amar e separar-se. Desejará que assim seja. Pode transmudar o amor, ignorá-lo, confundi-lo, mas nunca poderá arrancá-lo de si. Sei por experiência que os poetas têm razão: o amor é eterno.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Dissolução agora?


Jorge Sampaio vem agora dissolver o Parlamento. Sr. Presidente, por que não o fez há 4 meses atrás? Não precisa de responder que eu sei bem a resposta: é que há 4 meses era secretário-geral do PS o Eng. Ferro Rodrigues. Neste momento as coisas no partido estão estáveis, com um líder respeitado e com aspirações e que dá garantias de ser um bom candidato. Ou seja, Jorge Sampaio alinhou num inacreditável frete ao seu partido e vai agora tudo fazer para lhes dar o poder.
Porquê dissolver? Por causa da estabilidade? Meu caro senhor, onde estava a sua preocupação com a estabilidade aquando das demissões dos ministros do Governo de Guterres? Onde estava o Dr. Sampaio quando Sousa Franco acusou o Governo a que havia pertencido de ser o pior desde o tempo de D. Maria II? Onde estava aquando das declarações de Manuel Maria Carrilho, e de Fernando Gomes, e de João Cravinho, e de Narciso Miranda…?
Coerência é precisa para o Dr. Sampaio. Da mesma forma que o elogiei há 4 meses por seguir a mesma orientação que utilizou ante o Eng. Guterres, agora o critico.
A decisão do Presidente da República é inaceitável.

Depois de um interregno

Volto ao Globalizante após um interregno mais longo do que o previsto.
Estive a ampliar os meus horizontes no Leste da Europa o que me dificultou a afixação de posts.
De regresso a Portugal e à vida real, algo mudou. Comento no post acima.

sexta-feira, novembro 12, 2004

Uma Janela Aberta

Yasser Arafat morreu hoje, no dia em que escrevo este texto.
Antes da sua morte, viveu-se uma semana completamente disparatada no que toca ao tratamento que a comunicação social deu ao seu estado de saúde, enquanto agoniava no Hospital Militar de Percy, Paris. Adiantaram várias vezes, de forma precipitada, a sua morte chegando mesmo a provocar a primeira gaffe deste mandato do Presidente Norte-americano que, antes uma semana de Arafat morrer já lhe estava a "encomendar a alma".
O director-adjunto do JN, em declarações à televisão, vinha justificando as notícias macabramente contraditórias alegando que choviam telexes e telegramas nas redacções, muitas vezes de palestinianos desconhecidos, relatando, uns que havia morrido, outros que ia sobrevivendo. Pergunto eu: não será dever maior do jornalista ou do editor filtrar a informação e escolher as fontes dos seus textos com critério?

Opinar sobre como vai ser depois da morte de alguém soa sempre a trágico, quase a desrespeito pela alma do falecido. Ainda assim, penso que é quase inevitável que isso aconteça neste caso. O líder palestiniano congregava uma enorme panóplia de ódios e fascínios perfeitamente antagónicos que desaparecerão com ele.

A Palestina vê agora abrir-se uma nova oportunidade. Durante anos a fio, os israelitas negaram-se a negociar a criação de um Estado Palestiniano alegando a inexistência de um interlocutor à altura – os israelitas, pura e simplesmente, não confiavam em Yasser Arafat. É claro que este lhes dava motivos: o facto de ter feito tábua rasa de vários acordos de paz, de utilizar as conferências de imprensa para, em inglês, apelar à paz (para comunicação social internacional ver) e, logo a seguir, em árabe, instigar os seus seguidores à violência, constituem razões para causar desconfianças junto dos israelitas.

Estes dias vão ser cruciais para o futuro no Médio Oriente e em todo o mundo árabe. Havendo cuidado na escolha do sucessor para presidir à Autoridade Palestiniana, poder-se-á estar a proporcionar a paz israelo-árabe. E esta tão ansiada paz terá que passar, como é lógico, pela criação e reconhecimento do Estado da Palestina. Isto mesmo já veio dizer George W. Bush que será, sem dúvida, um intermediário fundamental neste processo.
Preocupantes são os sinais já dados pelos membros das Brigadas al-Aqsa. Esses comandos suicidas reagiram à morte de Arafat passeando-se por entre as ruas apinhadas de gente que lamentava a morte do seu líder num claro sinal de ameaça, chegando mesmo a disparar alguns tiros para o ar. Irão eles redobrar a violência?

Neste período, será preciso agir com pinças. De um lado e de outro, haverá radicais que tudo farão para impedir que a paz seja alcançada. Mas também é nestas épocas e perante desafios assim que se revelam os grandes homens, os grandes estadistas.Estou céptico quanto ao que fará Ariel Sharon – a sua figura não me inspira confiança. E nem sequer sei, ainda, quem será o sucessor de Arafat. Tenho é uma grande fé no papel crucial que a diplomacia mundial terá. Os EUA, a União Europeia e a Liga Árabe terão que ser firmes: como em qualquer outra negociação, ambas as partes devem ceder. É preciso convencer israelitas e palestinianos a tal. Para seu próprio bem.

quarta-feira, novembro 10, 2004

Arafat vive?

É escandaloso o que tem acontecido nos últimos dias face ao estado de saúde de Yasser Arafat. Ao que se sabe, chovem telexes e telegramas nas redacções dos jornais e televisões com notícias contraditórias sobre a vida do líder palestiniano. Que o seu estado clínico lhe é desfavorável, já não restam dúvidas a ninguém. Agora, por que não fazem os órgãos de comunicação social uma verdadeira triagem da informação que lhes chega? Até porque grande parte desses telegramas, segundo o director-adjunto do JN, provêm de palestinianos desconhecidos.

A Continuação das Tropas

A pedido das autoridades iraquianas, o Governo português está a ponderar prolongar o prazo de permanência da GNR no Iraque até Janeiro de 2005, altura em que estão previstas as primeiras eleições livres. Os partidos da oposição logo saíram a terreiro para contestar a eventual manutenção das tropas.
O que é facto é que Portugal tem o dever de contribuir para o alcançar da paz social no Iraque. Como país civilizado que somos não podemos fingir que não ouvimos o apelo do Primeiro-Ministro iraquiano e de parte da comunidade internacional.
A continuação da GNR naquele país é importante para o seu futuro democrático. Então, que lá continuem a combater a minoria terrorista que vem assassinando centenas de civis e militares com o único intuito de impedirem a transição do Iraque para o país democrático que deve ser.

quinta-feira, novembro 04, 2004

Arafat, o fim?

Rumores de que Arafat teria morrido ocorreram esta tarde e até suscitaram um "paz à sua alma" de Bush (a sua primeira gaffe?). Todo o mundo árabe e não só está em suspenso. Ninguém sabe ao certo o que poderá significar a morte de Arafat para o futuro de palestinianos e israelitas.Prefiro pensar que ela constituirá uma oportunidade. Quero mesmo acreditar que Ariel Sharon vai aproveitar esta fase de transição para, também ele, ceder na inevitável criação e legitimação do estado Palestiniano.

W. Bush again

Pois bem. De nada valeram as tomadas públicas de posição favorável a Kerry que centenas de jornais e artistas americanos fizeram. Na altura de votar, os eleitores americanos, que reputo de tão responsáveis como quaisquer outros, escolheram Bush. Muita tinta se gastou e gasta numa tentativa, quanto a mim inútil, de se encontrar razões místicas, esotéricas que possam ter levado a tal resultado.
Quanto a mim a questão é simples: John Kerry nunca conseguiu afirmar-se como alternativa válida a Bush. Porque votou a favor da intervenção no Iraque, viu-se amarrado nessa matéria e nunca conseguiu explorar de forma efectiva as suas diferenças em relação ao candidato republicano. Desta vez, Bush até conseguiu a maioria do voto popular (por uma margem de 3.5 milhões de votos) o que não levanta dúvidas. E com este resultado há toda uma facção de jornalistas e opinion makers que terão que guardar as respectivas violas. E refiro-me àqueles que, em relação aos debates entre os candidatos, não se coibiam de afirmar sempre que Kerry era o claro vencedor quando, na realidade, não o era. A resposta final, e a única válida, foi dada pelos americanos na passada Terça. Para o bem e para o mal, teremos Bush por mais quatro anos.

O que ando a ler III

Um Quarto com Vista de Edward Morgan Foster

Era agradável também abrir as janelas de par em par, apertando os dedos em fixações pouco habituais, debruçando-se ao sol com belas colinas e árvores e igrejas de mármore em frente e, em baixo, o Arno, gorgolejando contra o muro da estrada.